Tuesday, December 21, 2010

aspectos da 'lide da casa'

A nossa expectativa convencional sobre a economia é que esta deve assentar – pelo menos nos países mais industrializados – no “conhecimento” e nos seus múltiplos avatares, designadamente naquela nebulosa conhecida por Investigação & Desenvolvimento (I&D). Mesmo que a sombra da I&D seja, de facto, o motor das economias mais desenvolvidas, o exemplo recente da Irlanda mostra que o saber e o conhecimento não são garante de crescimento – para isso é também são necessárias coisas tão básicas como a fiscalização, a regulação ou a transparência dos “mercados”, antropomorficamente preocupados com o lucro e não com o bem-estar dos cidadãos.

Friday, December 17, 2010

Friday, December 10, 2010

frase a retomar:

Falta da tua brandura dolente,
tensa,
secretamente divertida,
da tua coragem em não aceitar compromissos,
da tua ternura indirecta e cautelosa,
do teu riso contagioso,
dos teus olhos interrogando um gesto,
de algum sentido que dê sentido a isto tudo

Trollope

Trollope disse uma vez que se orgulhava da sua biblioteca de cinco mil volumes, dos seus cavalos favoritos, dos bons vinhos que guardava na garrafeira e daquilo a que chamou «uma certa tendência para desaparecer».

Eu não possuo estábulos nem licores requintados, mas gosto de ficar em casa no contentamento dos livros, e também já não dispenso «uma certa tendência para desaparecer», tanto metafórica como literal. Mas não é orgulho: é necessidade.

Thursday, December 02, 2010

Friday, November 26, 2010

lei seca,apud

Há pessoas que acham que ser pessimista deve ser «angustiante». Estão enganadas. Ser pessimista é sobretudo cansativo. Todos os dias o mundo confirma a ideia que temos do mundo. Imaginem: todos os dias.

Gene - London Can You Wait?

Wednesday, November 24, 2010

sobre os liberais

Se se pudesse argumentar com liberais, deixariam de existir liberais!

Tuesday, November 23, 2010

suum quique...

afinal sabe bem do ponto de vista sensorial a demência em trânsdito....

Friday, November 19, 2010

o sal

sabor
de sal]

mel de fel do mar

Monday, November 15, 2010

Staind - Epiphany- live

Staind - Epiphany

Your words they make just a whisper
Your face is so unclear
I try to pay attention
And the words just disappear
Cuz it's always raining in my head
Forget all the things i should have said
So i speak to you in riddles
Cuz my words get in my way
I smoke the whole thing to my head
And feel it wash away
Cuz i can't take anymore of this
I wanna come apart
And did myself a little hole
Inside your precious heart
Cuz it's always raining in my head
Forget all the things i should have said
I am nothing more than
A little boy inside
That cries out for intention
That i always try to hide
Cuz i talk to you like children
Though i don't know how i feel
But i know i'll do the right thing
If the right thing is in fear
Cuz its always raining in my head
Forget all the things i should have said

oblivion-no

Sunday, November 14, 2010

«Non perdete la speranza»

Lavorare con tutte le forze democratiche, senza perdere la speranza per un futuro migliore. È questo il messaggio dato da Aung San Suu Kyi nel primo discorso tenuto dopo sette anni di arresti domiciliari, un bagno di folla - alcune stime parlano di 40 mila persone

Thursday, November 11, 2010

just a word

palavra
verbo
um hoje feito em agora
um agora em eterno retorno

Monday, October 18, 2010

descamos]

desçamos junto ao rio esta margem de erva descalça]

ouçamos o murulhar da água cristalina]

que nos sussurra abracem-se!]

desçamos tolhidos pela paz absortos no agora]

pisemos ao de leve os sonhos da aventura]

Thursday, October 14, 2010

johnny mike

com a devida vénia e permissão de lobo antunes...

O cabo ferrador
Porque não há azares que um cabo ferrador como deve ser não aguente, em sentido para o toque a silêncio, que nos mexe a todos por dentro e é o mais bonito que existe
8:40 Quinta feira, 7 de Out de 2010

Duzentos euros por mês não dão para muita coisa: uma sopinha e uma maçã ao almoço, uma sopinha e uma maçã ao jantar. Nos intervalos pede-me cigarros

- Não há por aí um cigarrinho a mais, doutor?

ou senta-se nas esplanadas até o mandarem embora, tratando-o por tu

- Põe-te a andar

e ele lá segue para o café próximo a arrastar um sapato sem atacadores. Não aceita esmolas, não aceita dinheiro, só pede cigarros aos amigos

- Só peço cigarros aos amigos

de acordo com o seu código aristocrático de miséria. Quando quis oferecer-lhe uma camisola recusou ultrajado

- Sou algum infeliz, eu?

e levou uma semana a perdoar a minha incompreensão da sua dignidade Você pode ser doutor e escrever livros mas não percebe nada da vida e tem razão, não percebo nada da vida. O seu maior orgulho é ter feito a tropa em Chaves

- Em Chaves, senhor

e eu, que nunca fui a Chaves, esmagado de respeito por Chaves pela maneira como ele fala

- Quem não conhece Chaves conhece pouco do mundo

e tem razão outra vez, conheço pouco do mundo. Pergunto-lhe

- Como é Chaves, senhor Ismael?

e em vez de resposta olha-me, durante uma eternidade, com pena sincera, até erguer ao alto, por fim, a mão de unhas duvidosas, unidas em cacho para dar ênfase à maravilha da cidade. A mão acaba por descer a fim de aceitar um cigarro

(um cigarrinho)

e o senhor Ismael a estender-se para a labaredazita do isqueiro

- Tem montanhas perto

e o

- Tem montanhas perto

deixado cair como uma moeda fora da circulação, pequena condescendência a um ignorante que não merece que se gaste tempo em explicações. Depois de tossir o fumo acrescenta

- E outras coisas

submerso em inesquecíveis lembranças militares, paisagísticas, amorosas

- Gajas boas não faltam

gajas boas a inundarem, só para ele, as ruas de Chaves, sorrindo-lhe, piscando-lhe o olho, chamando-o num sussurro prometedor

- Ismael

e o senhor Ismael, é claro, a dar conta do recado

- Sempre dei conta do recado, doutor fossem dez, vinte ou cinquenta

- Pelos ossos da minha irmã que está na cova que aviei seis numa tarde

sem tirar o bivaque de magala

- Mostre-me uma mulher que não goste de fardas

as mulheres e o senhor Ismael gostavam de fardas, puxou de uma espécie de carteira que, com o tempo, adquiriu a forma da sua nádega, na carteira o retrato seboso de um soldado

- Soldado vírgula, amigo, cabo ferrador

o retrato de um cabo ferrador, cheio de infância na cara mas inigualável a aviar, em que levei tempo a descobrir a criatura de agora, já sem infância nenhuma na cara, pregas, cicatrizes, a pele a lembrar-me o mapa de Portugal da minha escola, com uma cagadela de mosca no Alentejo e uma segunda mesmo ao lado de Faro, nas feições do senhor Ismael também os pontos negros das cidades, rugas iguais ao Guadiana e ao Douro, a ponta de Sagres do queixo, o estuário do Tejo da boca e, a propósito de boca

- Não se arranja um bagacinho que tenho a língua seca

mostrando-ma a sair das gengivas desmobiladas, guardando-a de novo

- Sequíssima

pronta à lubrificação do bagaço, metido na goela de uma só vez, à homem

- Quem não mete o bagaço de uma só golada não é homem nem é nada

seguido de soluços e lágrimas afastadas com desprezo pela manga

- A gente envelhece

e no meio das lágrimas do bagaço uma lágrima diferente, que ele percebeu que eu notei dado que

- Isto passa

de súbito quase menino, quase aflito, quase a abraçar-me, o retrato do magala por uma pena, cheio de infância na cara. Disse

- Doutor

repetiu

- Doutor e ficámos os dois que tempos em silêncio porque na realidade o

- Doutor

um discurso compridíssimo, com todas as suas desgraças dentro. Passado um grande bocado acrescentou

- Tenho dormido num degrau, sabia?

levantou-se da cadeira e foi-se embora, aposto que sem pensar em Chaves, nos montes, nas gajas, todo inteiro no interior de uma incomodidade com picos que o atormentavam, o filho morto em criança, a mulher ida com um caixeiro viajante, os duzentos euros, a sopinha. Mas havia de acabar por animar-se

- Isto já passa amigo

porque não há azares que um cabo ferrador como deve ser não aguente, em sentido para o toque a silêncio, que nos mexe a todos por dentro e é o mais bonito que existe.

Wednesday, October 13, 2010

Friday, October 01, 2010

boris vian,escritos pornográficos

chega esta semana às livrarias. Com ilustrações de Pedro Vieira, esta obra expõe a «Liberdade» – título de um dos textos – de amar sob todas as formas, da dimensão carnal do amor, que revela as suas luzes e sombras.
Esta obra reúne diversos textos, irreverentes e com um apurado sentido de humor, em prosa e poesia, e é precedida de um ensaio sobre a «Utilidade de Uma Literatura Pornográfica».
Cinquenta anos depois da morte de Boris Vian, a Guerra & Paz reinventa um dos livros mais originais do provocador autor que, ainda hoje, inspira e cria polémica.

Thursday, September 30, 2010

Friday, September 24, 2010

apenas um ponto final

o agora é mesmo o agora]

ao longe sinto o traço duma linha que escreve o verbo]

ao longe distingo as minhas forças serem desenhadas por um sopro de brisa]

o agora é o ocaso deste derradeiro setembro]

e não apelo mais e,... não desisto mais malheureusement....]

Monday, September 13, 2010

in vino veritas

vindimados os calores tépidos abrasivos setembrinos]

espiolhdos bagos quentes,pesados de uvas prenhes]

o cheiro ébrio do mosto açucarado ao entardecer da encosta]

Saturday, September 04, 2010

sweet september...

oh captain my captain...

Sunday, August 22, 2010

o frio dos dias de agosto...

o frio dos dias de agosto...

zurück zu september

Friday, June 25, 2010

in god we can not trust!

in god we can not trust; we trust in €

Wednesday, June 16, 2010

francisco curate dixit:(EU DIRIA QUE ERA O CHARME DISCRETO DA NOSSA BURGUESIA...)

´´Uma pessoa (digamos, um engenheiro ou um responsável autárquico pelo urbanismo) distrai-se e quando se dá por ela os pândegos dos operários já construíram um andar a mais numa série de prédios localizados numa zona central da cidade de Coimbra. Entre reuniões, papelada burocrática, cafés e palavras de desincentivo à fiscalização, há alguém que fareja a tramóia e acaba com a macacada que queria levar os edifícios do empreendimento “Jardins do Mondego” até ao céu, imitando em versão manhosa a história da Torre de Babel.....
And so on...

Wednesday, June 09, 2010

romã

romã púrpura]

lume incendiado no interior da romã]

romã que peca, romã divina]

beijos de lábios trementes de romã púrpura]

Monday, June 07, 2010

the national

o que é nacional é bom!

Wednesday, May 12, 2010

Wednesday, May 05, 2010

Thursday, March 25, 2010

roberto bolaño

A escuridão cobriu-lhe os ossos

Wednesday, March 17, 2010

........-.......

...e a noite entardecia...

Wednesday, March 03, 2010

ah pois....

quem não dá assistência.....abre espaço à concorrência.

Monday, January 18, 2010

o inferno pode esperar...

espero
espero o termo do vocábulo,
espero a urze, o Torga, a Terra
A terra, torrão que espera,que aguarda
pacientemente