Wednesday, December 03, 2008

elogio da cegueira

parecia,
a mim pareceu-me que tinha escutado que sim,que me querias.

que me querias dizer algo que eu aguardava à muito...pareceu-me, fiz confusão, enevoado como estou...sou o que queiras ou precisas que seja. serei algo que te faça conveniência; serei serviço, serei estátua.

pareceu-me escutar a tua sombra sempre tão opressora.

parecia-me, daqui...

daqui parecia-me que estava mesmo errado.

em um certo sentido eras chuva dissolvente. Eras o choro da tristeza que me dissolvia de modo aquoso...
tentei em vão olhar-te nos olhos sem levantar o olhar do chão. Puxavas-me, empurravas-me e eu sem sair do locci communis...

Em um certo sentido o nosso lugar comum era demasiado locus comum

1 comment:

Anonymous said...

Parecer ou ser...em quem confiarias mais - num cego ou num surdo?

Decerto que neste caso, olhos que vêem coração que sente...mas nem só de visões vive o homem...o que vê realmente é o visionário...